Os funcionários se acostumaram com as câmeras por todos os lados e nem se lembram que são constantemente observados.
Mas elas não são a única ferramenta das empresas para controlar e vigiar o que acontece em suas instalações. O monitoramento do uso de computadores, principalmente o conteúdo dos e-mails trocados durante o expediente, é cada vez mais comum e pode acabar em demissão e ações judiciais movidas por ambas as partes.
De acordo com o advogado, mestre em direito e professor de Direito do Trabalho na Puc- Paraná, Hélio Gomes Coelho Júnior, o empregado,enquanto cidadão, deve ter protegida sua intimidade e vida privada. Mas a empresa, enquanto empregadora,podedirigiredeterminar a prestação de serviços de quem assalaria. “O e-mail corporativo, cedido a cada empregado, é uma ferramenta de trabalho e passível de ter seu uso fiscalizado e observado. O recomendado é que cada empresa avise o funcionário sobre sua política por escrito, demodoprévio, cuidando de obter sua assinatura no documento respectivo”, explica. O advogado afirma que as empresas que agem dessa maneira conseguem se defender com facilidade caso haja algumaação na Justiça.
PESSOAL
Coelho Júnior ressalta, porém, que o e-mail pessoal (webmail) não pode ser “invadido” pela empresa, mas ela tem todo o direito de não permitir seu uso durante o horário de trabalho. Além do monitoramento das ações realizadas no computador, o bloqueio de determinados sites e programas que não têm relação direta com a função é prática comum nas companhias.
O próprio especialista usa todos esses recurso sem seu escritório, tanto para evitar o vazamento de informações confidenciais quanto para aumentar a produtividade. “Assim também aproveito para desdizer a regra de que ‘em casa de ferreiro, o espeto é de pau’”, brinca.
O diretor de Tecnologia da marcade roupas Via Veneto, Ricardo Popescu, também acha importante controlar os acessos dos cerca de 300 funcionários da companhia que trabalham usando computadores.

“Como a internet é uma ferramenta de trabalho indispensável, tomamos o cuidado de liberar para cada departamento, como fiscal, jurídico e RH, apenas os sites relacionados com suas atividades”, revela. Ricardo afirma que os e-mails corporativos também são monitorados, mas não necessariamente no conteúdo. “Existe um filtro que bloqueia mensagens com arquivos executáveis, imagens e outras coisas que podem conter vírus”, diz. De qualquer maneira, ele enfatiza que todas as correspondências trocadas via computador são rastreadas ea rmazenadas para consulta, caso ocorra algum problema. Como o uso dessa tecnologia na Via Veneto é mais focada mesmo para a questão da produtividade, o diretor de tecnologia ainda não teve nenhuma ocorrência mais séria. Mas elas existem.
CAUTELA
O especialista em segurança da informação e perito em crimes digitais Wanderson Castilho, diretor da E-NetSecurity Solutions, instala o sistema que monitora os computadorese investiga possíveis suspeitas de crimesvirtuais cometidos por empregados das empresas que contratam seus serviços.
“Agora mesmo estou cuidando do caso de uma funcionária com 11 anos de casa, grávida de 8 meses, e que todo mês desvia pequenas quantias de dinheiro da empresa. A soma total já é bastante expressiva”, revela.
Em casos como esse, ele conta com todo o amparo legal e judicial para realizar seu trabalho sem que o funcionário desconfie que está sendo monitorado. “Tudo fica registrado e é possível recuperar qualquer dado, mesmo os excluídos e formatados”, garante. Castilho explica que existem diversas maneiras de monitorar uma rede de computadores, como softwares que tiram “fotos” da tela (print screen) a cada cinco segundos, por exemplo,e as armazenam em um banco de dados.
“Em média, para uma rede com 20 máquinas gasta se hoje cerca deR$ 7mil para instalar todo o sistema no servidor”, afirma. Para o funcionário, vale o bom senso. “É fundamental que se use a internet com a máxima cautela no local de trabalho, buscando preservar-se de situações constrangedoras”, aconselha o advogado Luiz Gustavo da Silveira, que coordena a área de Direito da Informática em um escritório de Belo Horizonte. Para as empresas, Silveira faz coro com Coelho Jr. “Os empregadores devem deixar todos informados de forma clara, preferencialmente por escrito, sobre as políticas emrelação o uso da internet”.
A empresa, diz ele, “compra” o tempo do funcionário e fornece os equipamentos e as ferramentas para que ele possa trabalhar a favor dela. “Por isso, mesmo se tiver acesso liberado, não cometa abusos”, aconselha.
Com a rotina atual, as pessoas passam mais tempo no trabalho, quase como uma segunda casa (em alguns casos até como primeira). Entretanto, o comportamento e o uso de equipamentos de trabalho devem seguir uma linha profissional — e isso se aplica também ao uso do computador.
Mas até onde é permitido ir? Posso enviar e-mails pessoais? A empresa irá vigiar o que eu disser? Posso assistir a vídeos e navegar por redes sociais? O UOL Tecnologia foi atrás de resposta para essas dúvidas.
A visão geral é que o PC do trabalho e a Internet são ferramentas para auxiliar no trabalho do funcionário, por isso, a empresa pode vigiar seus passos desde que o empregado esteja ciente disso.
As companhias geralmente monitoram a navegação para controlar a produtividade e impedir a contaminação por vírus ou a fuga de arquivos e informações confidenciais. “As empresas se preocupam muito também com pirataria, direito autoral, pornografia e pedofilia”, esclarece a advogada especialista em direito digital, Patrícia Peck.
Gravar músicas, filmes e fotos pessoais no PC também é visto com desconfiança pelas empresas. Eles podem trazer vírus ou deixar a máquina lenta por excesso de arquivos.
Apesar disso, é aceitável o uso para fins pessoais respeitando o “bom senso”. Segundo Francisco Soelt, vice-presidente de Tecnologia da Associação Brasileira de Recursos Humanos de 2004 a 2007, é permitido o uso “livre” da Internet em determinados períodos do dia como de manhã, na hora do almoço e no final da tarde.
“Não sou favorável à proibição do uso da Internet, a melhor maneira é que as pessoas estejam conscientes e usem os equipamentos com parcimônia. Ninguém quer prejudicar seu desenvolvimento profissional pelo mau uso das ferramentas de trabalho”, destaca Soelt.
A recomendação, então, é evitar o uso particular e se ele for inevitável, usar o e-mail pessoal ou os horários permitidos pela empresa. Para manter sua privacidade, é melhor não deixar documentos e arquivos pessoais no computador da empresa, nem no e-mail corporativo, já que eles, por direito, pertencem à empresa e não ao funcionário. Aí, não adianta alegar invasão de privacidade.
Fonte: UOL Tecnologia
LILIAN FERREIRA
Matéria na íntegra: http://tecnologia.uol.com.br/dicas/ultnot/2008/04/07/ult2665u272.jhtm
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Veja a matéria na Íntegra:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/colunas/canalaberto/ult3810u398696.shtml

junho 16, 2011 in